i. ii. iii. iv.
quase tão bonita quanto a revolução cubana.

 —  próxima

(via froufrou-foxes)

4 . 15

sei que em alguma noite
em algum quarto
logo
meus dedos abrirão
caminho
através
de cabelos limpos e
macios

canções como as que nenhuma rádio
toca

toda a tristeza, escarnecendo
em correnteza.

—  Charles Bukowski

4 . 7

(via beijosepoesia)

4 . 7

(via eunaosabia)

4 . 4

artruby:

Nikhil Chopra at gb agency.

(via jewist)

4 . 4 

Você está para fazer oitenta e dois anos. Encolheu seis centímetros, não pesa mais do que quarenta e cinco quilos e continua bela, graciosa e desejável. Já faz cinquenta e oito anos que vivemos juntos, e eu amo você mais do que nunca. De novo, carrego no fundo do meu peito um vazio devorador que somente o calor do seu corpo contra o meu é capaz de preencher. Eu só preciso lhe dizer de novo essas coisas simples antes de abordar questões que, não faz muito tempo, têm me atormentado. Por que você está tão pouco presente no que escrevi, se a nossa união é o que existe de mais importante na minha vida?

—  André Gorz, em Carta a D..

4 . 4

Você é mais bonita que uma bola prateada
de papel de cigarro
Você é mais bonita que uma poça dágua
límpida
num lugar escondido
Você é mais bonita que uma zebra
que um filhote de onça
que um Boeing 707 em pleno ar
Você é mais bonita que um jardim florido
em frente ao mar em Ipanema
Você é mais bonita que uma refinaria da Petrobrás
de noite
mais bonita que Ursula Andress
que o Palácio da Alvorada
mais bonita que a alvorada
que o mar azul-safira
da República Dominicana

Olha,
você é tão bonita quanto o Rio de Janeiro
em maio
e quase tão bonita
quanto a Revolução Cubana

—  Ferreira Gullar

4 . 3

9 . 23

(via luzdosertao)

9 . 23 

Celebração da Fantasia

Foi na entrada da aldeia de Ollantaytambo, perto de Cuzco. Eu tinha me soltado de um grupo de turistas e estava sozinho, olhando de longe as ruínas de pedra, quando um menino do lugar, esquelético, esfarrapado, chegou perto para me pedir que desse a ele de presente uma caneta. Eu não podia dar a caneta que tinha, porque estava usando-a para fazer sei lá que anotações, mas me ofereci para desenhar um porquinho em sua mão. Subitamente, correu a notícia. E de repente me vi cercado por um enxame de meninos que exigiam, aos berros, que eu desenhasse em suas mãozinhas rachadas de sujeira e frio, pele de couro queimado: havia os que queriam um condor e uma serpente, outros preferiam periquitos ou corujas, e não faltava quem pedisse um fantasma ou um dragão.
E então, no meio daquele alvoroço, um desamparadozinho que não chegava a mais de um metro do chão, mostrou-me um relógio desenhado com tinta negra em seu pulso:
— Quem mandou o relógio foi um tio meu, que mora em Lima — disse.
— E funciona direito? — perguntei.
— Atrasa um pouco — reconheceu.

9 . 21

Dizem as Paredes 2

Em Buenos Aires, na ponte da Boca: Todos prometem e ninguém cumpre. Vote em ninguém.
Em Caracas, em tempos de crise, na entrada de um dos bairros mais pobres: Bem-vinda, classe média.
Em Bogotá, pertinho da Universidade Nacional: Deus vive.
Embaixo, com outra letra: Só por milagre.
E também em Bogotá: Proletários de todos os países, uni-vos!
Embaixo, com outra letra: (Ultimo aviso)

Eduardo Galeano

(via sambadeumanotaso)

9 . 21

(via henripix)

8 . 25

Por: Infame Lúdico.

8 . 25 

amor, então
também, acaba?
não, que eu saiba.
o que eu sei
é que se transforma
numa matéria-prima
que a vida se encarrega
de transformar em raiva.
ou em rima.

—  Paulo Leminski em Toda poesia.

8 . 16

8 . 16